Foi
assim que aconteceu! Não era um dia qualquer, ou quem sabe para muitos, seja
mais uma data no calendário do mercado, mesmo os que se intitulam críticos do
sistema, lá no fundo sente aquela pontinha em ceder e comprar um presente,
deixar de lado a sua chamada consciência critica que tudo questiona, e às vezes
tão pouco ama.
Mas
o fato que naquela manha de domingo, onde bem cedo o sol descortinava a
serração, com suas mãos de luz irradiava energia e calor, era muito bonito
assistir aquele espetáculo gratuito da natureza, na verdade penso que rolava um
crima no ar, ao que pude perceber as nevoas estavam se derretendo pelo sol. Bem
sei que entre as criaturas da mãe terra acontece uma simbiose.
Voltando
ao fato aquela manha, era simplesmente o segundo Domingo de Maio, ou seja, o
dia das Mães! Este sentimento maternal sempre nos pega, por nostalgia misturada
a uma eterna culpa, por isso ou aquilo que fizemos, ou deixamos de fazer. Após
cuidar de umas obrigações de quem vive na roça, tipo jogar milho pras galinhas
que se espalhavam pelo terreiro, milho descrito pela nossa poetisa Cora
Coralina, onde com eximia maestria relata as tantas utilidades deste alimento
na vida do povo, e dos animais, não sei o que diria Cora das transgenia. Em seguida tirei leite da
vaca Padroeira, que tem um bezerro de nome Santuário, Os dois, Santuário e
padroeiro vivem espalhando fé na multiplicação do leite, que por sua vez se faz
manteiga, queijo, iogurte, broas e pão.
Neste
caso o milagre conta com as mãos maravilhosas de uma pessoa di... Vera que além
de outros encantamentos, faz arte na da cozinha, local onde modéstia a parte
também tenho minha maestria. Agora por exemplo estou ao lado do fogão de lenha
que precipita a chama, o calor irradia inspirando-me a continuar esta
narrativa. Minha companheira como sempre carinhosa, acabou de servir uma
deliciosa xicara de café, onde o girar do moinho exala um perfume que preenche
todos os espaços da Casa, estou ate com medo, pois vejo assim como as nevoas,
os tijolos rapadura se derreter ao ponto de querer se jogar na panela, para se
unir naquele êxtase de doçura.
É
quase sempre assim, vou digitando entre uma pausa e outra, para ouvir um
comentário di...Vera sobre o cotidiano, coisas que me inunda desta sua
simplicidade, a cada dia entrego-me em suas mãos, que tens a missão em fazer de
mim um homem melhor, penso que neste oficio de sua Olaria a cada dia me
constrói e desconstrói.
Neste momento em algum espaço da casa ela
cantarola uma canção indefinida, más pouco importa qual é a musica, afinal não
estou no antigo programa do Silvio Santos, a mim interessa, todos os dias
partilhar desta sua alma fraterna que com extrema sabedoria conduze-me a
caminhos indescritíveis.
Naquele
dia das mães, entre outras atribuições da manhã, cabia a mim preparar o almoço,
ao conferir a despensa e geladeira percebi que estava desprovido de
ingredientes, era de fato tarde para campear uma galinha pelo terreiro ou coisa
parecida, no primeiro momento fiquei chateado com o descuido em não ter
condições em preparar um belo almoço para a mãe de minhas adoráveis filhas, más
como diria meu finado pai “quem não tem cachorro caça com gato”.
Entrou em cena a necessidade criativa, no exato
momento fui vendo o que tinha, ao invés de reclamar o que não tinha, como na
maioria das vezes fazemos, constatei que tinha um pequeno tomate, apenas um
ovo, algum cheiro verde, um tanto de feijão de ontem, joguei estes e outros
ingredientes em uma panela de ferro, preparei um delicioso mexido. Ao olhar
para o jardim a roseira se ofereceu a participar daquele momento, então colhi
rosas, vermelhas e brancas, no prato daquela mãe desenhei um coração de pétalas
vermelhas, contornado por rosa branca bem temperada com azeite e outras
cositas, o prato foi servido acompanhado de um bilhete falando coisas do
coração.
Enfim
foi assim aquela manha de dia das Mães. Até hoje lembramos daquele almoço, deixando claro e explicito
que, o que fica escrito em nossa memoria afetiva são os momentos de pura
gratuidade, embora vivemos loucamente para a necessidade, hoje neste texto e
neste blog minha maior necessidade é narrar coisas gratas, porque afinal as
coisas que são gratas, não são aquelas barratas, mas sim porque realmente não
tem preço. Quanto se paga por um prato de mexido coberto de rosas, feito
especialmente pra você? Se você como o prato ficou mexido, envie seu comentário
sobre o nosso papo, quem sabe conta-nos um de seus gratos momentos, afinal um
papo puxa outro, tudo bem se não quiser escrever, reúna a família e partilhe
momentos gostosos.
Parece
ate ironia do destino, agora as 18 e 50, sem saber o conteúdo do que escrevo
Vera oferece-me um prato de mexido, é fato que não tem pétalas de rosa, más
senti o perfume de sua essência.