quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Fiquei Mexido

Foi assim que aconteceu! Não era um dia qualquer, ou quem sabe para muitos, seja mais uma data no calendário do mercado, mesmo os que se intitulam críticos do sistema, lá no fundo sente aquela pontinha em ceder e comprar um presente, deixar de lado a sua chamada consciência critica que tudo questiona, e às vezes tão pouco ama.
Mas o fato que naquela manha de domingo, onde bem cedo o sol descortinava a serração, com suas mãos de luz irradiava energia e calor, era muito bonito assistir aquele espetáculo gratuito da natureza, na verdade penso que rolava um crima no ar, ao que pude perceber as nevoas estavam se derretendo pelo sol. Bem sei que entre as criaturas da mãe terra acontece uma simbiose.
Voltando ao fato aquela manha, era simplesmente o segundo Domingo de Maio, ou seja, o dia das Mães! Este sentimento maternal sempre nos pega, por nostalgia misturada a uma eterna culpa, por isso ou aquilo que fizemos, ou deixamos de fazer. Após cuidar de umas obrigações de quem vive na roça, tipo jogar milho pras galinhas que se espalhavam pelo terreiro, milho descrito pela nossa poetisa Cora Coralina, onde com eximia maestria relata as tantas utilidades deste alimento na vida do povo, e dos animais, não sei o que diria Cora  das transgenia. Em seguida tirei leite da vaca Padroeira, que tem um bezerro de nome Santuário, Os dois, Santuário e padroeiro vivem espalhando fé na multiplicação do leite, que por sua vez se faz manteiga, queijo, iogurte, broas e pão.
Neste caso o milagre conta com as mãos maravilhosas de uma pessoa di... Vera que além de outros encantamentos, faz arte na da cozinha, local onde modéstia a parte também tenho minha maestria. Agora por exemplo estou ao lado do fogão de lenha que precipita a chama, o calor irradia inspirando-me a continuar esta narrativa. Minha companheira como sempre carinhosa, acabou de servir uma deliciosa xicara de café, onde o girar do moinho exala um perfume que preenche todos os espaços da Casa, estou ate com medo, pois vejo assim como as nevoas, os tijolos rapadura se derreter ao ponto de querer se jogar na panela, para se unir naquele êxtase de doçura.
É quase sempre assim, vou digitando entre uma pausa e outra, para ouvir um comentário di...Vera sobre o cotidiano, coisas que me inunda desta sua simplicidade, a cada dia entrego-me em suas mãos, que tens a missão em fazer de mim um homem melhor, penso que neste oficio de sua Olaria a cada dia me constrói e desconstrói.
 Neste momento em algum espaço da casa ela cantarola uma canção indefinida, más pouco importa qual é a musica, afinal não estou no antigo programa do Silvio Santos, a mim interessa, todos os dias partilhar desta sua alma fraterna que com extrema sabedoria conduze-me a caminhos indescritíveis.
Naquele dia das mães, entre outras atribuições da manhã, cabia a mim preparar o almoço, ao conferir a despensa e geladeira percebi que estava desprovido de ingredientes, era de fato tarde para campear uma galinha pelo terreiro ou coisa parecida, no primeiro momento fiquei chateado com o descuido em não ter condições em preparar um belo almoço para a mãe de minhas adoráveis filhas, más como diria meu finado pai “quem não tem cachorro caça com gato”.
 Entrou em cena a necessidade criativa, no exato momento fui vendo o que tinha, ao invés de reclamar o que não tinha, como na maioria das vezes fazemos, constatei que tinha um pequeno tomate, apenas um ovo, algum cheiro verde, um tanto de feijão de ontem, joguei estes e outros ingredientes em uma panela de ferro, preparei um delicioso mexido. Ao olhar para o jardim a roseira se ofereceu a participar daquele momento, então colhi rosas, vermelhas e brancas, no prato daquela mãe desenhei um coração de pétalas vermelhas, contornado por rosa branca bem temperada com azeite e outras cositas, o prato foi servido acompanhado de um bilhete falando coisas do coração.
Enfim foi assim aquela manha de dia das Mães. Até hoje lembramos  daquele almoço, deixando claro e explicito que, o que fica escrito em nossa memoria afetiva são os momentos de pura gratuidade, embora vivemos loucamente para a necessidade, hoje neste texto e neste blog minha maior necessidade é narrar coisas gratas, porque afinal as coisas que são gratas, não são aquelas barratas, mas sim porque realmente não tem preço. Quanto se paga por um prato de mexido coberto de rosas, feito especialmente pra você? Se você como o prato ficou mexido, envie seu comentário sobre o nosso papo, quem sabe conta-nos um de seus gratos momentos, afinal um papo puxa outro, tudo bem se não quiser escrever, reúna a família e partilhe momentos gostosos.
Parece ate ironia do destino, agora as 18 e 50, sem saber o conteúdo do que escrevo Vera oferece-me um prato de mexido, é fato que não tem pétalas de rosa, más senti o perfume de sua essência.


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